Duarte da Encarnação, Me and my nature, Casa da Cultura de Santa Cruz|2002


Me and my nature


Simplesmente um convite, ao mais íntimo repertório de apropriações de Bruno Côrte, METÁFORA – ENCONTRO, entre ele próprio e objecto resultante, retrato e auto-retrato de uma natureza, fusão de um estado de espírito, flagelação. Decontido e envolvente. Esquecemos muitas vezes que somos tão naturais como ramos salientes... podados, privados aqui da seiva construtiva. Colector de intenções várias, criadora neste caso, miragem, refúgio de extremidades reveladoras, apêndices que transmitem vida às folhagens, bosque parcialmente presente, palpável e dissecado, inalterável e evocador de uma força maior, mega – estrutura geográfica, por isso corporal, interna medula / espinha dorsal nervosamente equilibrada, extensões apenas. Cabeça, tronco e membros.


Bruno Côrte faz-nos um convite, outro mais, desta vez à revelação, à sua integração “retrato – pessoa”, dando a conhecer um mundo que lhe é muito chegado, associado ao modo elementar, o modo da vida, variações de reminiscência pictórica do retratado na sua obra, reinventada à sua autoria e apropriação. Os pequenos troncos descem das serras, confrontam-nos inertes, passivos, reveladores de uma magia transcendente e inigualável. será a perturbação dos nossos dias que a valoriza?, um fluxo interminável de atentados mediáticos do homem SISTEMA, neste momento, agora, ao natural nada fetal ou primitivo, a natureza é tão acolhedora e complacente, apenas quando nos lembramos dos seus enredos.


Dimensionado em nossa similitude e presença, autor e obra encontram-se em diálogo, um fogo cruzado de contemplação entre manipulador e manipulado, como se de um jogo de espelhos tratasse, invertidos e complementares, reflexos opacos e texturais do meio natural. REVELAÇÃO é uma palavra-chave, leitura em circuito fechado se quiser, encontro e desencontro, FRONTALIDADE, atitude de todo criador seguindo em frente apesar da cegueira, sistema rotativo, estações temporais de um ciclo de vida, regeneração e auto- suficiência, directivas de uma apropriação, me and my nature, sua natureza, a natureza de outro, enfim, a de outros, em especial a dele, a do Bruno.


Professor Auxiliar na Universidade da Madeira, Centro de Artes e Humanidades Doutorado em Bellas Artes, Programa de Artes Visuales e Intermedia, com a tese: “Expansiones del híbrido escultura / arquitectura: Cartografias de un Arch‐Art como respuesta al arte público crítico”, UPV, Universidad Politécnica de Valencia ‐ Facultad de Bellas Artes de San Carlos, Departamento de Escultura, orientado por Miguel Molina Alarcón e Empar Cubells Casares.

Diploma de Estudios Avanzados (DEA)*. Trabalho de investigação: Mecanización y artefacto como dispositivos escultóricos de extensión corporal, una antropometría de los entornos tecnificados y su reflexión teórica a partir de proyectos creativos personales. Orientado pelo Doctor. Don. Miguel Molina Alarcón, Catedrático de Universidad ‐ Sub Director de investigación. Área de Conhecimento: Escultura. Programa de Doctorado: Artes Visuales e Intermedia, Departamento de Escultura ‐ Universidad Politécnica de Valencia, Espanha. Especialista Universitário en “Artes Visuales e Intermedia” – Departamento de Escultura/UPV 2002 – 2004 (correspondente à fase curricular do DEA – Diploma de Estudios Avanzados). Licenciado em Artes Plásticas, variante de Escultura, Departamento de Arte e Design/Universidade da Madeira, 1996 – 2001

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